Marcha pela unidade da Espanha reúne um milhão na Catalunha

29/10/2017

 

Mais de um milhão de pessoas se reuniram no centro de Barcelona neste domingo, segundo os organizadores, para um grande protesto pacífico a favor da unidade da Espanha, dois dias após a declaração de independência da Catalunha levar Madri a destituir o governo regional. Inquietos após a declaração unilateral de independência, os catalães contrários à secessão saem às ruas mostrando a divisão na região. A polícia catalã deu um número diferente, de 300 mil pessoas. Membros do governo central e partidos pró-união são esperados na marcha. Centenas de pessoas, muitas carregando bandeiras da Espanha já estavam no local marcado para o protesto antes mesmo da hora de início prevista, às 12h no horário local.

 

Os organizadores da marcha dizem que o objetivo é defender a unidade do país e rejeitar o "ataque à História da democracia". Há três semanas, o mesmo grupo organizou um protesto após o resultado do referendo de independência, que levou milhares de pessoas às ruas de Barcelona. Não há manifestações independentistas marcadas para este domingo.

 

O Parlamento catalão votou na sexta-feira a favor da independência, e a resposta de Madri foi tomar o controle do governo da região, marcando o clímax da pior crise política na Espanha em décadas. O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, também dissolveu o Parlamento e convocou novas eleições para o dia 21 de dezembro. Considerada uma ofensa pelos separatistas, a intervenção de Madri é vista com certo alívio por cerca de metade dos 7,5 milhões de habitantes da Catalunha que, após anos eclipsados pelas mobilizações independentistas, aumentaram seus protestos.

 

 

— Na minha cidade, não posso sair com a bandeira espanhola — lamenta Marina Fernández, estudante de 19 anos de Girona, uma das cidades mais independentistas da região.

 

Pelo segundo dia consecutivo, a região espanhola proclamada como república, não reconhecida por ninguém, acordou sem saber quem a governa. Oficialmente, o governo dirigido por Carles Puigdemont foi destituído e suas funções foram assumidas pela vice-presidente do governo espanhol, Soraya Saénz de Santamaría. Cerca de 150 altos funcionários da Generalitat (governo catalão) foram demitidos e a cúpula dos Mossos d'Esquadra (polícia catalã) foi mudada.

 

Porém, os líderes independentistas não reconheceram a destituição. No jornal "El Punt-Avui", o vice-presidente destituído da Catalunha, Oriol Junqueras, assegurou que o presidente do país é e seguirá sendo Carles Puigdemont.

 

"Não podemos reconhecer o golpe de Estado contra a Catalunha, nem nenhuma das decisões antidemocráticas que o Partido Popular (do presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy) com controle remoto de Madri", afirmou Junqueras sobre a tomada do controle da Catalunha. "A presidente do Parlamento é e continuará sendo Carme Forcadell, ao menos que os cidadãos decidam o contrário em eleições livres.

 

No sábado, Puigdemont fez uma declaração institucional onde foi menos explícíto, pedindo por uma oposição democrática à decisão do governo espanhol. O presidente destituído catalão ainda disse que ele e outros funcionários afastados por Madri deveriam continuar trabalhando para construir um país livre.— A melhor maneira de defender as conquistas obtidas até hoje é a oposição democrática à aplicação do artigo 155 — afirmou, assegurando que seguirá trabalhando para construir um país livre.

 

 

Após a destituição, Puigdemont e os 12 membros que até sábado constituíam o gabinete catalão já não são mais pagos. O governo espanhol afirmou que eles poderiam ser acusados de usurpar funções se continuarem a recusar a obdecer, o que poderia levar a região a uma turbulência ainda maior.

 

Apesar das causas judiciais abertas contra o líder catalão, a Espanha disse que ele poderia participar das eleições convocadas para dezembro. Segundo uma pesquisa publicada neste domingo pelo jornal "El Mundo", os partidos independentistas perderiam nas novas eleições a maioria absoluta obtida em setembros de 2015, passando de 72 assentos para 61 a 65, em um Parlamento de 135 lugares.

 

A declaração de independência foi respaldada por um referendo celebrado no dia 1º de outubro, considerado ilegal pela Espanha, em que mais de 90% foram a favor da separação da Espanha. Contudo, o Tribunal Constitucional da Espanha proibiu a votação, e os contrários à secessão boicotaram o processo, que teve 43% de participação. O dia da consulta popular também foi marcado pela violência, quando as forças de segurança da Espanha entraram em confronto com os cidadãos que pretendiam votar, no que foi visto como uma resposta pesada do governo central, que foi duramente criticado.

 

Via O Globo

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