Governo de Barbados quer destituir Rainha Elizabeth do posto de Chefe de Estado

Reavivando um plano discutido algumas vezes no passado, o governo de Barbados planeja tornar o país uma República em 2021. Enquete realizada pelo Barbados Today, principal jornal do país, acusou rejeição de 64% da população à proposta.

Sua Majestade a Rainha Elizabeth II do Reino Unido, Irlanda do Norte e Comunidade de Nações (Chris Jackson/©Getty Images)

A Governadora Geral de Barbados, Sandra Mason, deu a inesperada notícia na manhã desta terça-feira (15) enquanto proferia um discurso em nome da primeira-ministra do país, Mia Mottley.


"Chegou a hora de deixarmos totalmente nosso passado colonial para trás. Os barbadianos querem um barbadiano como chefe de Estado. Esta é a declaração final de confiança em quem somos e no que somos capazes de alcançar. Portanto, Barbados dará o próximo passo lógico em direção à soberania plena e se tornará uma República quando celebrarmos nosso 55º aniversário da independência", declarou a Governadora-Geral. Em 30 de novembro de 2021, o país celebrará seu 55° aniversário de independência.


O Barbados conquistou a independência em 1966, mas manteve um vínculo formal com a Monarquia britânica, conservando o soberano inglês como Chefe de Estado. Outros 15 países independentes que um dia fizeram parte do Império britânico mantém esse mesmo vínculo.


Atualmente, o Governador-Geral de Barbados é nomeado pela Rainha sob recomendação do Primeiro-Ministro da ilha. Nos países que compõem a Comunidade de Nações (Commonwealth) e que têm a Rainha Elizabeth como Chefe de Estado, o Governador-Geral é o responsável por representar a Rainha nos eventos oficiais, como na abertura anual do Parlamento, ocasião em que Mason proferiu o discurso.

A Governadora-Geral de Barbados durante o discurso de abertura do Parlamento (Reprodução/©AFP)

A ideia de pôr um fim à ligação com a Monarquia britânica não é nova. Desde os anos 1970, por vezes a proposta surgiu. Em 1979, uma comissão de inquérito conhecida como Comissão Cox sobre a Constituição foi instaurada e estudou a possibilidade de introduzir o país ao sistema republicano. A comissão chegou a conclusão de que os barbadianos preferiam manter a Monarquia Constitucional e a ideia de aderir à República foi deixada de lado.


Em 1996, uma comissão de revisão da Constituição de Barbados foi instaurada e recomendou que o Barbados adotasse o sistema parlamentarista republicano. A proposta de um referendo foi apresentada ao Parlamento no ano de 2000, mas os debates foram abandonados após o fim daquela legislatura, por ocasião da dissolução do Parlamento em 2003.


'Decisão cabe a Barbados'


Questionado sobre esta decisão, um porta-voz do Palácio de Buckingham declarou que o caso era assunto do povo de Barbados. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido reiterou que a decisão caberia à nação barbadiana.


"Barbados e o Reino Unido estão conectados em nossa história, cultura, idioma compartilhados e muito mais. Temos uma aliança duradoura e continuaremos a trabalhar com eles", disse uma porta-voz do ministério das Relações Exteriores.


Em 2015, 64% dos barbadianos disseram ser a favor da Monarquia


Em março de 2015, uma sondagem feita pelo Barbados Today, principal jornal do país, revelou um sonoro "não" à ideia de retirar a Rainha Elizabeth do posto de Chefe de Estado. A enquete mostrou que 64% da população desejava conservar a forma monárquica de governo, ao passo que 24% se declaravam a favor da República e 11% manifestavam indiferença à proposta.

Resultado da enquete realizada pelo jornal Barbados Today em 2015 (Reprodução/Twitter)

Com informações de Barbados Today e Portal G1.

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