Autoridades romenas ponderam sobre referendo pela restauração da Monarquia


Representantes dos partidos que governam a Romênia foram questionados acerca da eventualidade de uma consulta popular. Primeiro-Ministro discorda, mas demais líderes são favoráveis a ideia.

NICULAE BĂDĂLĂU, DO PSD: ACHO QUE OS ROMENOS DEVEM SER CONSULTADOS (REPRODUÇÃO/MEDIAFAX)

Os líderes dos partidos que compõem a coalizão que governa a Romênia foram abordados pela imprensa do país a respeito da possibilidade da realização de um referendo sobre a restauração da Monarquia. O assunto anda em voga no país, particularmente em razão dos últimos acontecimentos.

Neste sábado (16), a Romênia realizou um funeral de Estado ao Rei Miguel I. O Rei, último monarca do país, destronado após a Segunda Guerra Mundial, faleceu no último dia 5, na Suíça. Três dias de luto nacional foram decretados em sua memória. Milhares compareceram ao funeral, que contou com a presença de membros da realeza europeia e internacional, incluindo o Príncipe Charles do Reino Unido, os Reis eméritos Juan Carlos e Sofia da Espanha, os Reis Carl XVI Gustaf e Silvia da Suécia, o Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte Pio, e a Chefe da Casa Imperial da Rússia, a Grã-duquesa Maria Vladmirovna. Milhares também se reuniram em Curtea de Arges, onde o Rei foi enterrado, e nas estações de trem ao longo do caminho por onde o cortejo fúnebre passou. Milhões assistiram ao funeral pela TV, e em razão disso tudo, questionamentos tem sido levantados nesse sentido.

GRANDE PÚBLICO ACOMPANHOU O FUNERAL DO REI MIGUEL, DEPOSTO POR UM GOLPE DE ESTADO EM 1947 (REPRODUÇÃO/FLASH.PT)

A primeira autoridade a ser inquirida pela imprensa foi Niculae Bădălău, presidente executivo do Partido Social Democrata (PSD). Entrevistado nesta segunda (18), ele afirmou considerar justa a ideia de uma consulta popular. Bădălău, que se diz republicano, argumenta que o projeto de um referendo é algo que "os políticos, em conjunto com o presidente e outras lideranças, deveriam parar para discutir", informou à Mediafax.

"Acho que as pessoas devem ser consultadas. Não é algo ruim, uma vez que os países monárquicos são países desenvolvidos", disse. O político não desconsiderou a possibilidade do referendo acontecer no próximo ano. "Claro, tudo é possível".

Para Bădălău, além da consulta popular, o projeto de lei relativo à Casa Real Romena, já em discussão pelos parlamentares, também deveria ser viabilizado o quanto antes. "Deve ser discutido, especialmente porque vemos na mídia que já existem muitos simpatizantes", justificou.

O projeto de lei em questão confere ao Chefe da Casa Real o mesmo status formal dos chefes de Estado romenos, além de um serviço administrativo financiado pelo Estado.

Mas nem todos aderem à ideia. O Primeiro-Ministro Mihai Tudose, quando questionado a respeito, afirmou ser republicano. "Eu não sou monarquista. Não posso concordar com isso", disse.

O PRIMEIRO-MINISTRO, MIHAI TUDOSE: NÃO CONCORDO (REPRODUÇÃO/GOV.RO)

Por outro lado, Călin Popescu Tăriceanu, Presidente do Senado e chefe da Aliança dos Liberais e Democratas (ALDE), afirma que uma Monarquia Constitucional poderia corrigir o atual sistema constitucional "híbrido", responsável por "semear o germe do conflito" pelas prerrogativas que confere ao presidente, informou ele à HotNews.ro.

"Eu acho que somos um dos poucos países que são uma exceção à regra das democracias parlamentares, onde o presidente desempenha um papel representativo. Conosco, há esse problema constante, que alguma hora teremos que enfrentar. A Monarquia Constitucional tem a vantagem de colocar o monarca acima e distante do jogo político e dos partidos políticos", afirmou o parlamentar, conhecido por fazer defesa pública da ideia monárquica.

Na Romênia, disse ele, "o presidente, em vez de ser um árbitro, prefere sempre atuar como jogador" e, por essa razão, "todo o sistema constitucional sofre".

Tariceanu apontou ainda para o crescimento de um sentimento público pela Casa Real e para a crescente "confiança dos romenos na forma de governo monárquica" para justificar sua posição sobre o referendo. Mas, em sua opinião, a consulta deve ocorrer somente “quando houver maioria ou for consenso geral”.

CĂLIN POPESCU TĂRICEANU, PRESIDENTE DO SENADO E CHEFE DA ALDE: DEFESA DA MONARQUIA (REPRODUÇÃO/MEDIAFAX)

"Tal tema merece um debate mais amplo ao nível da sociedade", e para isso "devemos reunir as forças que são favoráveis ​​e convencer o maior número possível de cidadãos sobre a utilidade da forma de governo", afirmou. E se "o assunto se tornar de interesse", "podemos começar essas discussões no próximo ano", acrescentou ele.

A Romênia foi uma Monarquia Constitucional de 1881 até 1947, quando o Rei Miguel foi forçado a abdicar pelo partido comunista, que então governava o país. Um estado socialista substituiu a Monarquia, até que, em 1989, o regime caiu. Deste então, o país é uma República Semi-Presidencialista.

VIA ROMANIA INSIDER

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