Restos mortais do Rei Vitor Emanuel III são repatriados à Itália


Rei, que colaborou com o regime fascista de Mussolini, promovendo a queda da Monarquia no país, teve ontem (17) seus restos mortais transladados do Egito para a Itália. Repatriação gerou protestos da comunidade judaica.

A CHEGADA DO CORPO DO REI AO SANTUÁRIO DE VICOFORTE (REPRODUÇÃO/LA STAMPA)

Os restos mortais do Rei Vítor Emanuel III, que desde sua morte no exílio, repousavam no Egito, foram repatriados neste domingo à Itália. O monarca, que reinou de 1900 até sua abdicação, foi desterrado em 1946 por colaboração com o regime fascista.

O presidente da República italiana, Sergio Mattarella, concedeu à Casa de Savoia a autorização para repatriar os restos mortais do Rei, que foram transladados do Cairo à Itália neste domingo (17). O monarca foi enterrado no mausoléu da Família Real em Vicoforte, noroeste da Itália.

O corpo, que estava na catedral de Santa Catarina, em Alexandria, agora está enterrado ao lado de sua esposa, a Rainha Helena, que também teve seus restos mortais transferidos de Montpellier, na França, para a Itália.

OS RESTOS MORTAIS DE VITOR EMANUEL III, À ESQUERDA DOS DA ESPOSA, RAINHA HELENA, EM VICOFORTE (REPRODUÇÃO/LA STAMPA)

Protestos da comunidade judaica

A notícia gerou polêmica e protestos da comunidade judaica. "Numa época marcada pela perda progressiva de memória e valores fundamentais, o retorno do corpo do Rei Vitor Emanuel III não pode deixar de gerar ansiedade profunda, também porque vem na véspera de um ano marcado por muitos aniversários", incluindo "os 80 anos da assinatura das leis raciais", sublinhou Noemi Di Segni, presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas (Ucei).

Vítor Emanuel III promulgou as leis raciais que provocaram a deportação de quase 8 mil judeus italianos até 1943.

Mancha levou à queda da Monarquia

O monarca italiano, ciente do descrédito que gerara à Monarquia, numa última tentativa de salvar a instituição (antes disso, em 1943, após a derrota da Itália na Segunda Guerra Mundial, ele se unira aos Aliados para derrubar Mussolini), abdicou do Trono em maio de 1946, em favor do filho, Humberto II. Mas o herdeiro não pôde durar muito no Trono. A mancha, plantada pelo pai, levou logo o novo monarca a se retirar. Mesmo tendo se opondo à passividade de Vitor Emanuel frente aos abusos do regime fascista, Humberto precisou abandonar o Trono um mês depois de assumi-lo e ir para a Suíça, após os italianos, em referendo, votarem a favor da República.

Sob o plebiscito correram suspeitas, a vitória republicana se deu por margem muito pequena, mas foi o suficiente para Humberto se retirar e declarar, dizendo que nunca seria Rei de apenas 50% dos italianos: "A Monarquia não pode representar apenas a uma parcela da população."

O CAIXÃO DE VITOR EMANUEL III, COBERTO PELA BANDEIRA DO REINO DA ITÁLIA (REPRODUÇÃO/LA STAMPA)

Os monarquistas italianos lamentam-se da passividade de Vitor Emanuel, que resultou na queda da Monarquia. Mas argumentam, baseados em palavras do próprio Mussolini, que a própria Monarquia, em certa medida, conteve o fascismo, impedindo-o de ter se manifestado de maneira ainda mais nociva na Itália.

Em artigo escrito para o periódico monarquista Tricolore, de 12 de outubro de 2004, Alberto Casirati destaca algumas colocações feitas pelo ditador. Em uma delas, de maio de 1939, Mussolini confessa ao secretário do Partido Nacional Fascista, Achille Starace: "A Monarquia impede, com suas emanações ridículas, a fascistização do Exército". A outro de seus confidentes, o genro Galeazzo Ciano, il duce teria dito, cheio de si: "O Rei é um inimigo irredutível do regime, mas esteja atento: para destruí-lo, basta um manifesto afixado nas cidadezinhas" (p. 3).

Mas é extremamente instigante, sobretudo, uma outra colocação do ditador fascista, destacada por Casirati.

Em referência a Hitler, Mussolini teria declarado: "Se houvesse um monarca em seu encalço, não teria ido tão longe" (p.7).

O REI VITOR EMANUEL III, À ESQ., E SEU SUCESSOR, O REI HUMBERTO II: NAS MONARQUIAS, OS FILHOS MUITAS VEZES PAGAM PELOS ERROS DOS PAIS (REPRODUÇÃO/

WIKIMEDIA COMMONS)

Agradecemos ao historiador Gabriel Carvalho pela tradução das frases destacadas.

COM INFORMAÇÕES DOS JORNAIS LA STAMPA E O GLOBO

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